Concorrente do Office e do Google, LibreOffice diz que não ter IA é vantagem

Fonte: Canaltech — 2026-10-07

O LibreOffice decidiu transformar uma ausência comum em outros tempos em argumento de venda em plena corrida da inteligência artificial. A suíte gratuita e de código aberto afirma que não oferecer IA generativa por padrão é uma vantagem , principalmente para usuários e organizações preocupados com privacidade e controle sobre documentos. A posição foi detalhada pela The Document Foundation , entidade responsável pelo projeto, e repercutida pela TechCrunch nesta terça-feira (6).

A decisão coloca o LibreOffice em uma direção diferente da adotada por Microsoft e Google. Enquanto Copilot e Gemini ganham cada vez mais espaço dentro de Word, Excel, Google Docs e outros aplicativos de produtividade, o projeto afirma que não pretende adicionar uma IA integrada ao pacote no futuro próximo.

Isso não significa que a ferramenta descarte a tecnologia. A fundação diz que pode reconsiderar a decisão caso encontre uma implementação que cumpra os requisitos definidos pelo projeto.

Por que o LibreOffice não quer IA integrada?

A principal preocupação está no destino dos dados usados pelos modelos. Segundo a The Document Foundation, documentos podem conter prontuários médicos, processos jurídicos, informações de estudantes e outros conteúdos confidenciais, o que torna relevante saber quando e para onde esses arquivos são enviados.

O projeto estabeleceu uma série de condições para uma eventual integração. Entre elas estão permitir que o próprio usuário escolha onde o processamento da IA acontece, impedir o envio de conteúdo para servidores sem autorização e evitar qualquer tipo de telemetria.

Uma futura ferramenta também precisaria funcionar com diferentes provedores, em vez de depender da API de uma única empresa, e ser completamente opcional. Administradores de empresas, por exemplo, deveriam conseguir instalar o LibreOffice sem que qualquer recurso de IA aparecesse na interface.

Segundo a fundação, atualmente não existe uma integração capaz de atender a todos esses critérios durante todo o ciclo de suporte de uma versão.

Essa política já aparecia no LibreOffice 26.8, lançado em 26 de agosto. Na ocasião, a organização destacou que a suíte não possui recursos de IA generativa, não precisa de conexão com a internet para funcionar e não envia documentos para serviços remotos para processamento.

Ainda dá para usar IA no LibreOffice

Quem quiser combinar o LibreOffice com modelos generativos ainda encontra alternativas. O programa aceita extensões de terceiros capazes de conectar a suíte a ferramentas como Ollama, LM Studio e serviços compatíveis com a API da OpenAI .

Algumas dessas opções permitem executar o modelo diretamente no computador, mantendo o conteúdo do documento no próprio dispositivo. A The Document Foundation ressalta, porém, que essas extensões são desenvolvidas e mantidas por terceiros e recomenda verificar se alguma delas envia informações para serviços na nuvem.

A organização também afirma que continuará acompanhando a evolução do setor. Modelos locais estão se tornando mais acessíveis para computadores comuns e, caso surja uma solução que respeite seus critérios, a inclusão de IA poderá ser reavaliada.

Office e Google Workspace seguem outro caminho

Microsoft e Google têm ampliado a integração de inteligência artificial justamente nos programas contra os quais o LibreOffice compete.

O Copilot aparece dentro de Word, Excel e PowerPoint e pode criar, editar e analisar conteúdo nos arquivos. Em 2026, a Microsoft aprofundou essa integração com agentes capazes de executar ações em várias etapas diretamente nos documentos.

No Google Workspace, o Gemini está integrado a serviços como Docs, Sheets, Slides, Gmail e Drive. A IA pode escrever textos, criar arquivos e buscar contexto em informações de diferentes aplicativos, dependendo dos recursos e permissões habilitados na conta.

As duas empresas oferecem políticas e controles próprios para o tratamento de dados, especialmente em contas corporativas. A diferença defendida…

[Matéria original de Canaltech — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]

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