TikTok é usado por criminosos para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram; g1 monitorou perfis

Criminosos usam códigos e comentários na rede social para atrair interessados e direcioná-los ao Telegram, onde o material é anunciado por valores a partir de R$ 10.

Fonte: G1 — 2026-09-25

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo. Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram Criminosos estão usando publicações no TikTok para promover a venda de conteúdo de abuso sexual infantil. A divulgação ocorre nos comentários das postagens, em que os criminosos usam códigos para driblar a fiscalização da plataforma e direcionar os interessados ao material anunciado. O g1 monitorou, por semanas, mais de 30 perfis no TikTok e identificou que os interessados são direcionados ao Telegram, onde o material é comercializado em pacotes com fotos e vídeos. (saiba abaixo mais detalhes) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Não é a primeira vez que o TikTok é usado por criminosos dessa forma. No início deste ano, o g1 mostrou que grupos supremacistas usavam a rede social para exaltar Hitler e o nazismo por meio de códigos e publicações explícitas. ⚠️ Os termos e códigos usados no TikTok para divulgar conteúdo de abuso sexual infantil não serão divulgados nesta reportagem para evitar sua propagação. No Telegram, os criminosos anunciam diferentes tipos de conteúdo, incluindo cenas de estupro e material envolvendo adolescentes. Os pagamentos costumam ser feitos por criptomoedas (moedas digitais) ou PIX, a partir de R$ 10. Os valores são baixos porque há muitas pessoas comercializando materiais semelhantes, o que leva à redução dos preços para competir entre si. (saiba mais abaixo) Antes de concluir a venda, eles costumam oferecer amostras gratuitas para conquistar a confiança do comprador e comprovar que têm o material anunciado. 📲 No Telegram, as vendas desses materiais ocorrem de três formas: a negociação é feita em conversas com um bot (robô), embora uma pessoa também possa intervir para responder às perguntas dos compradores; a negociação ocorre diretamente com o criminoso, em uma conversa privada; O conteúdo é vendido por meio de sites criados dentro do próprio Telegram, usando os chamados "miniapps", recursos da plataforma desenvolvidos com a linguagem de programação JavaScript. Na prática, eles permitem criar e abrir uma página semelhante a um site dentro do aplicativo, sem que o usuário precise sair do Telegram. (veja um exemplo na imagem abaixo) Exemplo de miniapp do Telegram que comercializa material de abuso sexual infantil. Reprodução/Telegram O acesso, a produção e a divulgação de conteúdo de abuso sexual infantil são crimes no Brasil, reforça Ana Cláudia Cifali, coordenadora jurídica do Instituto Alana, ONG voltada à proteção dos direitos das crianças. Tanto os responsáveis por esse tipo de conteúdo quanto as plataformas podem ser responsabilizados. (veja abaixo as penas) "A proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital tem como base o artigo 227 da Constituição Federal. Embora o ECA Digital tenha reforçado essa proteção, as condutas criminosas já estavam tipificadas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) desde 2008, quando foram estabelecidas penas mais duras para crimes de abuso sexual infantil", afirma a especialista. Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material. O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. "Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens", completou. As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem. Criminosos vendem pacotes de vídeos de abuso sexual infantil por R$ 10 no Telegram e usam PIX para receber pagamentos Arte/g1 O TikTok é usado por criminosos como porta de entrada para atrair pessoas interessadas em conteúdo de abuso sexual infantil. Para isso, eles publicam vídeos que nem sempre têm relação aparente com o material…

[Matéria original de G1 — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]

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