De produtos baratos a líderes de tecnologia: como a China passou a superar gigantes ocidentais
Marcas chinesas deixaram de competir apenas pelo preço e passaram a liderar mercados de câmeras, carros elétricos e outros eletrônicos. Produção integrada, inovação rápida e custos menores ajudam a explicar a mudança.
Fonte: G1 — 2026-10-21
À medida que as tecnologias se tornam mais presentes no cotidiano, formuladores de políticas públicas avaliam seus benefícios diante de preocupações com segurança de dados e influência estrangeira Benjamin Bathke/DW Não faz muito tempo, a GoPro era sinônimo de câmera de ação. Em seu auge, em 2015, a empresa americana reinava absoluta, com cerca de 6,6 milhões de unidades vendidas naquele ano e participação de mercado superior a 70%. Hoje, a pioneira luta pela própria sobrevivência. O principal culpado? A concorrência chinesa. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 As maiores rivais da GoPro, DJI e Insta360, entraram no mercado de câmeras de ação em 2019 e 2021, respectivamente. Hoje, elas respondem por mais de 90% das vendas globais de câmeras inteligentes portáteis. Alexander Hannemann, que usa regularmente câmeras de ação para filmar seus passeios demotocicleta, diz que trocou a GoPro pela Insta360 há cerca de dois anos. Agora no g1 "A qualidade é muito melhor do que a da GoPro, mesmo quando estou acelerando e entrando em curvas a cerca de 80 quilômetros por hora", disse à DW. A GoPro escapou da falência em setembro, após baque por apostas malsucedidas em produtos e concorrência dos smartphones Christian Ohde/imageBROKER/picture alliance via DW A crescente liderança tecnológica da China O caso da GoPro não é exceção. Desde aproximadamente 2010, muitas marcas chinesas não apenas alcançaram, mas superaram rivais ocidentais que antes dominavam o setor de tecnologia de consumo, de TVs inteligentes a aspiradores robóticos. Já ficou para trás a época em que Made in China era sinônimo de produtos baratos e produzidos em massa. "A China ainda fabrica produtos acessíveis", afirma Chris Pereira, empreendedor canadense e autor com mais de 20 anos de experiência no país. "Mas os produtos também são de alta qualidade." Essa combinação fez com que bem mais da metade dos novos produtos globais de tecnologia para o consumidor passassem a vir de fornecedores chineses, acrescenta Pereira. BYD, Xpeng e outras montadoras chinesas venderam quase dois terços de todos os carros elétricos comercializados no ano passado, superando empresas já estabelecidas, como a Tesla. No segmento de aspiradores robóticos, marcas chinesas dominam o mercado global, enquanto a americana iRobot, antiga pioneira do setor, tem dificuldades para competir. Mas por que as empresas chinesas superam cada vez mais seus rivais ocidentais? Pereira, cuja consultoria iMpact ajuda empresas chinesas a ganhar espaço no exterior, atribui esse sucesso à intensa concorrência doméstica em cidades como Shenzhen, Hangzhou e Xangai, a cadeias de suprimentos altamente integradas e a uma cultura empresarial orientada para a ação, que permite às companhias inovar e responder rapidamente aos problemas. Outros fatores importantes para a vantagem competitiva chinesa incluem automação industrial incomparável, uso estratégico de inteligência artificial na manufatura, agilidade regulatória e mão de obra relativamente barata. Juntos, esses elementos resultam em custos de produção significativamente menores e ciclos de inovação muito mais rápidos do que os observados em outras economias. Joey Cheng, fundador da Prolo Ring, empresa que fabrica anéis que permitem acesso a controles remotos e outros dispositivos usando apenas os polegares Benjamin Bathke/DW Joey Cheng, que se mudou para os Estados Unidos para fazer doutorado há mais de 20 anos, conhece tanto o lado do consumidor americano quanto o do produtor chinês. Embora sua startup esteja sediada nos EUA, quase toda a produção é realizada em Shenzhen, onde é fabricada uma grande parcela dos equipamentos eletrônicos e dispositivos de consumo do mundo. "A cadeia de suprimentos de Shenzhen é praticamente inevitável para reduzir custos e desenvolver produtos rapidamente", diz Cheng. "Especialmente para uma startup, é preciso colocar o produto no mercado depressa ou você será atropelado pela concorrência." Persistem preocupações com…
[Matéria original de G1 — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]