Executiva que comanda o Signal contesta previsões de 'apocalipse de IA' e diz que risco é o uso descuidado da inteligência artificial

Em entrevista à BBC, Meredith Whittaker, chefe de fundação que criou aplicativo de mensagens criptografadas, afirma que riscos da inteligência artificial têm sido mal compreendidos.

Fonte: G1 — 2026-10-19

Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos. Alvaro Alvarez/ BBC Aviso: Este artigo contém linguagem forte que pode ofender leitores Meredith Whittaker rejeita as previsões catastróficas sobre a inteligência artificial (IA) que ganham destaque no noticiário. Para ela, os alertas de que a tecnologia poderia se voltar contra a humanidade se baseiam em um temor "sem fundamento científico". "O risco é muito real", afirma Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. "Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas." 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Whittaker considera que o perigo mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia. Ela menciona um suposto caso noticiado pela emissora americana CNN, no qual um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos teria inventado informações sobre um navio chinês que supostamente transportava material nuclear. Segundo a reportagem, o episódio levou os EUA a preparar uma resposta militar. Agora no g1 "Quase entramos em guerra com a China", afirma Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. "Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado." O Signal tem entre 40 milhões e 70 milhões de usuários, segundo estimativas — um número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários, também segundo estimativas. No entanto, o aplicativo Signal é conhecido por sua postura rigorosa na proteção da privacidade dos usuários. Seus servidores não têm acesso à identidade de quem envia as mensagens, o que reduz a quantidade de informações que podem ser obtidas por terceiros ou invasores. Leia também: OpenAI encontra dispositivo de gravação escondido em escritório e funcionário é preso Protesto contra o Projeto Maven Whittaker foi apontada pela revista americana Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA. Ela participa de discussões sobre o futuro da tecnologia em alguns dos principais centros de poder do mundo, de empresas do Vale do Silício à sede do governo britânico, em Downing Street, passando pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e pelo Vaticano. Ela estudou literatura na graduação e começou a trabalhar no Google em 2006, como funcionária temporária em um cargo inicial, sem formação em ciência da computação. Whittaker ganhou notoriedade no fim de 2017, quando soube por um colega da existência do Projeto Maven, um contrato secreto entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas de IA capazes de identificar alvos para ataques com drones. Ela compreendeu o que significava "encurtar a cadeia de ataque": reduzir o intervalo entre a identificação de um alvo por uma máquina e a decisão humana de disparar, deixando menos tempo para avaliar as consequências. "Isso vai fazer com que informações de inteligência e dados de má qualidade pareçam confiáveis", lembra ter dito publicamente. No ano seguinte, Whittaker ajudou a organizar uma paralisação que mobilizou cerca de 20 mil funcionários. Eles protestavam contra a atuação do Google em diversas questões, incluindo o que consideravam uma implementação apressada de novas tecnologias. O Google desistiu do contrato, que foi assumido pela Palantir. Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres Alvaro Alvarez/ BBC Whittaker relaciona diretamente o Projeto Maven ao ataque com mísseis dos EUA contra uma escola no Irã neste ano. Segundo ela, a operação utilizou o sistema e se baseou em informações de inteligência desatualizadas, que identificavam a escola como um alvo militar. "Era exatamente isso que estávamos alertando em 2017",…

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