Golpe com IA: os sinais que você aprendeu a procurar já não funcionam tão bem; veja como se proteger
Relatório da Unico aponta 6 milhões de vítimas de roubo de contas em 2025 e mostra que 22% dos alertas de fraude no país estão concentrados em um só estado. Custo de ataques sofisticados já foi 100 vezes maior.
Fonte: G1 — 2026-09-28
Operação contra fraude financeira Entre as fraudes que mais avançam está o roubo de contas. Dados do relatório da Unico em parceria com a Liminal estimam 6 milhões de vítimas em 2025, um aumento de 141% em relação a 2021. Também chama atenção a injeção de imagens e vídeos manipulados, que representa 45,8% dos casos classificados. O avanço da inteligência artificial está mudando o perfil dos fraudadores. Golpes que, até pouco tempo, exigiam grupos criminosos especializados, equipamentos caros e conhecimento técnico passaram a poder ser executados de forma praticamente doméstica, com ferramentas disponíveis por cerca de US$ 30 (R$ 153) por mês. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Por isso mesmo, especialistas ouvidos pelos g1 orientam que mudar a forma como o consumidor identifica uma possível fraude pode ser crucial. Os sinais visuais que durante muito tempo ajudaram a perceber uma imagem falsa, como dedos deformados, ausência de piscadas ou um rosto com aparência artificial, não são mais eficazes. “A tecnologia evolui rapidamente e esses defeitos estão ficando mais raros. Os modelos evoluíram justamente para corrigir esses defeitos”, explica Rodolfo Avelino, professor no Insper e especialista em tecnologia. Golpistas avançam do roubo de senhas para o uso de IA para 'clonar' pessoas no Brasil, revela estudo Ainda podem aparecer falhas, principalmente em determinadas situações. Segundo Avelino, uma pessoa pode levantar suspeitas quando vira o rosto de perfil ou pronuncia sons que exigem o fechamento dos lábios, por exemplo. 🔎 Imagens borradas e diferenças entre a voz e o movimento da boca também podem ser sinais de alerta. Mas esses problemas, sozinhos, não são suficientes para confirmar uma fraude. Por isso, o leitor deve prestar atenção à situação e aos sinais: Pedido inesperado de dinheiro; Urgência emocional; Pressão para agir sem pensar; e Tentativa de impedir a confirmação por outro canal são sinais mais importantes. A orientação é adotar um procedimento simples: interromper a conversa e procurar a pessoa ou a instituição por um caminho independente. “A melhor defesa, neste sentido, não é tentar vencer a IA no olho, mas adotar um protocolo. Na prática, vale interromper a conversa, ligar para um número já conhecido e fazer uma pergunta que somente a pessoa real saberia responder”, afirma Avelino. Em empresas, pedidos que fogem do padrão também devem ser confirmados diretamente com o responsável por um canal interno. Qual estado do Brasil tem mais crimes com IA? No Brasil, São Paulo aparece isoladamente como o estado com maior participação nos alertas de fraude, com 22,06% das ocorrências. Segundo o relatório, essa concentração acompanha os polos de maior atividade digital do país. grafico g1 Luis Felipe Monteiro, CEO da Unico para a América Latina, afirma que esse avanço da IA amplia significativamente o número de pessoas capazes de tentar uma fraude. "O criminoso é alguém que está 24 horas por dia, os 7 dias da semana, tentando encontrar uma brecha no sistema", explica. "O mercado sempre vai estar atrás do fraudador". A IA se tornou um combustível Segundo o especialista, a IA reduziu as barreiras para a prática desses crimes e transformou operações que antes eram complexas em atividades que podem ser realizadas por um único fraudador. O custo para executar ataques sofisticados já foi 100 vezes maior, enquanto os casos de injeção de imagens e vídeos manipulados cresceram nove vezes só entre junho de 2025 e abril de 2026. Os ataques mais avançados, que incluem deepfakes e manipulações físicas, representam 23,3% dos casos no mundo, mas chegam a quase metade das ocorrências na América Latina. Deepfake nas eleições: entenda o que é e por que pode enganar o eleitor O risco que você está correndo e não sabe Para o CEO, o principal risco hoje é justamente o deepfake — quando a inteligência artificial cria ou altera um rosto, uma voz ou um vídeo para fazer uma pessoa parecer ser quem não é. “Hoje o deepfake é a…
[Matéria original de G1 — clique em "Fonte" abaixo para ler na íntegra.]